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Tuiuti apresentou sinopse do enredo sobre Tia Ciata quarta-feira (13/05)

Publicada em 15/05/2026 às 09:05h

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Link da Notícia:

O Para�so do Tuiuti apresentou,quarta-feira, dia 13 de maio, a sinopse do enredo "Ciata: a m�e preta do samba", que ser� desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage. O texto ser� assinado pelos historiadores Claudio Russo, Luiz Ant�nio Simas e colabora豫o de Gracy Moreira, bisneta da homenageada.
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A leitura� ocorreu durante o evento "Tutu de Preto Velho", que j� virou tradi豫o da agremia豫o de S�o Crist�v�o.�
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AN핶ISE DE DISCURSO
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“Tu �s meu sonho Tuiuti
Tens um destino a cumprir”
Para�so do Tuiuti 2001
(Cesar Som Livre, Kleber Rodrgigues,
David Lima e Claudio Martins)
O Para�so do Tuiuti, preparado para continuar indo ao
encontro do seu destino, reafirma a sua posi豫o de fazer
enredos e propor questionamentos que busquem tirar
fatos e personagens do apagamento dos livros oficiais
para consagr�-los na eternidade do maior espet�culo da
terra.
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CONCEITO DO T�TULO DO ENREDO
CIATA: M홂 PRETA DO SAMBA
Traduz de forma direta e sucinta o significado e o
simbolismo da personagem de fundamental import�ncia na
cria豫o do samba carioca, como tamb�m no enraizamento da
cultura de terreiro. A express�o "m�e preta" no Brasil Colonial
� muito marcada pelo imagin�rio e pela viol�ncia da escravid�o,
n�o raro definindo as amas de leite submetidas � amamenta豫o
compuls�ria dos filhos da elite. Desafiando o horror da
escravid�o, o Tuiuti prop�e a ressignifica豫o do termo,
entendendo a m�e preta do samba como protagonista soberana
e livre, senhora de saberes, sabores, afetos, acolhimentos,
resist�ncias e reexist�ncias, no contexto do matriarcado
gerador da cultura preta do samba.
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SINOPSE
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Acordou, como sempre, antes do galo cantar. De um estalo
se mirou no espelho do abeb�, o leque dourado de Oxum,
naquela hora em que o sol, como um abre-alas, pediu passagem
entre as nuvens da madrugada para anunciar a chegada de mais
um dia. O cheiro bom do omolokum arriado no dia anterior
ainda dominava o ambiente.
A tia preta abriu a porta do casar�o, ent�o matriz de
acolhimento dos sabores e saberes de sua gente, na rua
Visconde de Ita�na, n�mero 117, Pra�a Onze de Junho, e saiu
para o trabalho, empunhando o seu tabuleiro de doces
deliciosos, vestida a car�ter: pano da costa, oj� na cabe�a, saia
rendada, bata, guias e balangand�s.
Ela, ao lado de tantas tias, foi expoente da tradi豫o das
mulheres quituteiras trajadas de baianas nas ruas da cidade;
pretas soberanas que assumiram plenamente o protagonismo
sobre suas vontades, seus corpos e suas vidas.
Hil�ria Batista de Almeida se lembrou da Bahia e do
tempo de cabe�a feita pelo velho Bamboche, quando Oxum
gritou por tr�s vezes no jogo aberto: Ora i� i� �, alafiou!
E pensou alto: este ano a festa da minha m�e vai ser linda.
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Feito isso, seguiu para seu ponto comercial naquela
esquina do Centro, pr�xima �s ruas da Alf�ndega e do Ouvidor,
sem esquecer da caminhada como primeira yaquequer� do
terreiro de Jo�o Alab�, na rua Bar�o de S�o Felix, na Cidade
Nova.
A regi�o central da cidade se transformava pelas reformas
urbanas que buscavam construir, desde o in�cio da Rep�blica,
uma esp�cie de "Paris Tropical"; projeto que caminhou
tentando invisibilizar as viv�ncias e a ci�ncia dos pretos e
pobres que n�o faziam parte do ideal da Belle �poque carioca.
A tia ainda se lembrava dos dias da Revolta da Vacina, nos
tempos do Bota Abaixo do prefeito Pereira Passos. No
burburinho das ruas, era como se Omolu, o grande orix� da
doen�a e da cura, estivesse balan�ando o xaxar�, o cetro de
b�zios e palha da costa, pela cidade inteira. A gente simples das
ruas cariocas, todavia, n�o � de se entregar e se integrou atrav�s
da luta, da ocupa豫o do espa�o p�blico e da constru豫o de
sociabilidades cotidianas. Nelas, se atam os n�s da resist�ncia
e da inven豫o de modos coletivos de vida.
Ciata continuou a passos firmes, cruzou com uns
conhecidos capoeiras, passou pelo vizinho que escrevia o jogo
do bicho, viu algumas barracas de frutas frescas e percebeu que
a justa vinha descendo em disparada desde o Campo de
Santana, atr�s de uns malandros e de uma ya� rec�m-iniciada
para o orix�. Ao seu lado, dois moleques gaiatos cantarolavam
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baixinho: o Chefe da Folia pelo telefone mandou avisar...
Pensou alto: Oxal�! O Rio de Janeiro come�ava a respirar os
ares do carnaval e como era bom ouvir aquele batuque que
come�ou misturado com choro, maxixe, samba de roda e muito
ax�, livre da repress�o urbana, no quintal de sua casa, e que
estava se tornando popular em meio ao corre-corre das ruas.
Ela mesma, afinal, participara da composi豫o daquela m�sica
que os garotos cantavam – e Donga registrou com o t�tulo de
“Pelo Telefone” – al�m de ter a fama de ser bamba nas rodas de
partido alto. Como versava!
A Tia mal podia conter a expectativa pelos dias de folia.
Ela era carnavalesca das mais animadas que, n�o � toa, herdou
o Rancho Rosa Branca e viu nascer no seio de sua fam�lia o
bloco O Macaco � Outro.
De s�bito, um senhor de palet� marinho, que ela
conhecera quando vendia doces numa Festa da Penha, h�
muitos anos, perguntou:
Tem doce de coco, tia? Daquele que eu comi no dia de
Cosme e Dami�o do ano passado, na sua casa?
Tem sim senhor! E manjar tamb�m.
Uma senhora, negra altiva, disse: hoje n�o, mas amanh�
eu quero mugunz� de colher, cuscuz e p� de moleque. Hoje eu
quero comer um acaraj� de mam�e Oy� para ficar ventando de
satisfeita! Se bem que um caruru tamb�m � boa pedida.
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A Iyabass�, sem perder o sorriso do rosto, respondeu
ir�nica:
Por falar nisso, amanh� nem sei se venho. Preciso bater umas
folhas ainda hoje e fazer um banho de ervas para curar a perna
de um tal Venceslau Br�s, acho que � o Presidente da
Rep�blica! N�o tem ferida que Ossanha n�o resolva. Ele vai
ficar bom.
E as duas riram.
Fez-se depois um sil�ncio moment�neo, logo rompido
pelo barulho da turba que continuou agitando aquela manh�
carioca de mais um dia de fevereiro.
De volta ao casar�o de onde sa�ra de manh�, a tia
encontrou a festa preparada para come�ar. Macumbeiros,
sambistas, artistas, chor�es, jornalistas, m�es e filhas de santo,
poetas, o povo da rua, tias amigas de longa data, n�o paravam
de chegar. Parecia que a gente daquela pequena 햒rica
encravada entre o porto, a Sa�de, a Gamboa, a Pra�a Onze, a
Cidade Nova e o bairro do Est�cio de S�, estava toda ali.
De repente, com a mesa farta, os copos cheios e os corpos
livres, a celebra豫o rompe os limites do tempo e do espa�o. A
casa da Visconde de Ita�na � uma avenida iluminada para
saudar a matriarca.
� carnaval e o rancho da saudade vai desfilar...
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O seu povo desce o morro do Tuiuti e se veste de azul e
amarelo para cantar, vibrar e reverenciar a ancestral maior que
aben�oa o carnaval. Cada passo de samba � como um ponto
riscado na Marqu�s de Sapuca� transformada em terreiro. A
Yalod�, l�der feminina de sua gente, est� feliz!
EP�LOGO
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Para o poder vigente e as classes mais abastadas, Ciata
poderia ser uma transgressora, algu�m � margem ou uma
macumbeira e sambista qualquer.
Para sua gente - Donga, Pixinguinha, Hil�rio Lalau de
Ouro, Tia Bebiana, Tia Monica, Tia Perciliana, Tia Carmen do
Xibuca, o cronista Vagalume, e tantos mais – Tia Ciata foi colo,
acolhimento, liberta豫o e rede de apoio. M�e de Santo e do
samba, conhecedora de tecnologias ancestrais, ela � a
personifica豫o da resist�ncia e do protagonismo da mulher
preta; aquela que diante do processo de aniquila豫o dos saberes
n�o brancos e da criminaliza豫o da pobreza como projeto do
estado brasileiro, reinventa a vida como aventura soberana de
beleza at� a raspa do tacho.
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CRIA플O E PESQUISA
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• Carnavalesco: Renato Lage
• Pesquisa e texto: Claudio Russo e Luiz Antonio Simas
• Consultoria e apoio � pesquisa: Gracy Moreira e equipe da
Casa da Tia Ciata
• Agradecimentos especiais: Professoras Ang�lica Ferrarez
e Cl�udia Alexandre
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REFER�NCIAS BIBLIOGR핮ICAS
�
• ALEXANDRE, Cl�udia. Exu-mulher e o matriarcado nag�.
Rio de Janeiro: Editora Aruanda, 2023.
• _____________________ Mulheres de terreiro: as mem�rias
ancestrais e a resist�ncia pelo sagrado. Artigo consultado no
�
Portal 픴�re. https://www.awure.com.br/wp-
content/uploads/2023/08/MULHERES-DE-TERREIROS-
AS-MEMORIAS-ANCESTRAIS-E-A-RESISTENCIA-
PELO-SAGRADO.pdf
�
• AMARAL, Rita. Xir�: o modo de crer e viver no candombl�.
Rio de Janeiro: Pallas, 2002.
• AZEVEDO, Andr� Nunes de. A Grande Reforma Urbana do
Rio de Janeiro: Pereira Passos, Rodrigues Alves e as Ideias de
Civiliza豫o e Progresso. Rio de Janeiro: Maud/PUC, 2017.
• BRUNO, Leonardo. Canto de Rainhas: o poder das mulheres
que escreveram a hist�ria do samba. Rio de Janeiro: Editora
Agir, 2021.
• FAUSTINO, Carmem. Massembas de Ialod�s: vozes femininas
em rodas. S�o Paulo: Editora Pol�n, 2018.
• FERRAREZ, Ang�lica. A tradi豫o das tias pretas na Zona
Portu�ria. Disserta豫o de Mestrado apresentada ao Programa
de Hist�ria Social da Cultura da PUC-RJ. 2013.
• ____________ Mulheres negras no p�s Aboli豫o: mem�rias,
linguagens e poderes no of�cio da porta bandeira Tia Dod� da
�
Portela. Tese de doutorado apresentada ao programa de p�s-
gradua豫o em Hist�ria da Universidade do Estado do Rio de
�
Janeiro.
• LIMA, Lu�s Filipe de. Para ouvir o samba: um s�culo de sons e
ideias. Rio de Janeiro: Funarte, 2022.
• LODY, Raul. Joias de ax�. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
• LOPES, Nei & SIMAS, Luiz Antonio. Dicion�rio da Hist�ria
Social do Samba. Rio de Janeiro: Civiliza豫o Brasileira, 2016.
• MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena 햒rica no Rio de
Janeiro. S�o Paulo: Todavia, 2023.
�
• THEODORO, Helena. Mito e espiritualidade: Mulheres negras.
Rio de Janeiro: Pallas, 1996.
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O MEU QUILOMBO CHEGOU,
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OU MELHOR,
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O QUILOMBO DO SAMBA CHEGOU!
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