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Sinopse do enredo da Grande Rio para o Carnaval 2025

Publicada em 10/06/2024 às 22:06h

Divulga豫o


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Sinopse do enredo da Grande Rio para o Carnaval 2025
 (Foto: Grande Rio/ Divulga豫o )

S o mar, o rio, o Grande Rio, aqui azul, ali verde, mais distante negro, barrento alm, lmpido mais adiante, interessava sua curiosidade, dava-lhe o desejo de viver e ser gente.

Eneida de Moraes – Banho de Cheiro

So elas as princesas dos segredos do Brasil encantado.

Luiz Antonio Simas – Almanaque Brasilidades

Kirimbasawayriy-it / Yan芋gawara-it

(A fora que vem das guas / So os nossos Encantados)

George Borari e Keissi Borari – Suraras do Tapajs

O Carimb muito quente

Da cintura pra baixo eu sou peixe

Da cintura pra cima eu sou gente

Mestre Verequete – Sereia do Mar

– eu ouvi o rio

e ele falou pra mim

ento eu renasci.

Mayara Yamada – Caudalosa

De todas as coisas do fundo eu vou falar um pouco. Ouvidos abertos, atentos voz que baila. ela quem versa o ponto, pinta o rosto, poetiza: remanso. Porque “as guas dos meus encantos… doce!”

1.

햓ua doce me leva, deixa as guas me levar pra barreira do mar

No balano, eu conto uma histria de Princesas e Encantarias, areias, brumas e barro. Desfio a colcha de retalhos. Sigo em frente, mareando. Banzeiro de barco. Terceira margem, beira. Mouros e mururs. Tudo, pois, comeou no mar, em meia-viagem, nas tempestades. Tempo fora do tempo, quando a gente peregrina. Encruzillhadas cruzadas, fantasmas, mas isso (ou aquilo): lenda, crena, reza, mito. Dizeres, letras que flutuam.

Lanternas. Palavras que no afundam nas fossas abissais. Sereias e abasss, terreiros nos cantos das guas. Sangue, sal, saudade – a vida nada.

Contam de um sbio Rei, Sulto de nome afamado, cujas filhas embarcaram, fugindo das guerras santas. Eram trs as Maresias, Tias Turcas, Joias d’햓ua, navegando, navegando: Mariana, Herondina e Jarina. Que no conheceram a morte, uma vez que o mistrio o presente, verde, muiraquit no peito: diante do arrebatamento, o naufrgio o inevitvel, cruzaram os Portais da Encantaria e mergulharam no Espelho do Encante. O Avesso. Quando a nvoa se fez incenso – e o cu, azul, azulejo.

2.

Verequete o Rei coroado l no mar

Coroa, coroa, coroa… brilhou no mar

Nas praias do Gro-Par, brancas, len奧is de algodo, a Turqussima Trindade encontrou um protetor. Ver, Averequete, Vodum poderoso, Ti, Totem das Ondas, Senhor das Espumas. Que se transforma em Pombo Roxo e pajeia, cintilante, a nica das Sete Cidades que pode ser contemplada, vasta, sobre a imensido barrenta. Maraj das revoadas, Aguaguara, vertigem! Viram, ento, palcios e ber詣rios, sementes da vida, rom-birib-bacuri. Vida que vira mangue, mangue que oferta argila para que essa infindvel vida seja traduzida em traos, ocos, vasos, dutos: olho d’gua, tero do mundo. Na lama, no pntano, nasce a flor mais bonita – aprenderam, deriva. Seguiram.

3.

Um chamado do fundo / voc tem que respeitar

Assim disse um caramujo / que l foi visitar

As guas driblam seus cursos, levam e lavam, no contrafluxo desse barco, que risca, lentamente, o arco espelhado do Encante. No fundo dos igaraps, nas bocas das matas, os bichos se transfiguram. Flecham! Cobras, sapos, peixes, carus, o segredo em Pena e Marac, Pajelana Cabocla. Me d’햓ua canta, Boto assovia, Boina se agita no lodo, Caipora e Curupira rodopiam nas clareiras. Mapinguari espia, Matinta espreita. A floresta, ela mesma, se materializa em entidade

Jurema, Quarta Conta, deusa cuja coroa, cocar tricolor, se uniu s trs Soberanas. Rebatizadas, nas cascatas da Amaznia, Mariana foi Arara cantadeira; Jarina, a Jiboia vigilante; Herondina, a Ona do meu destino.

4.

Meu cho tem Encantaria, meu cho tem Encantaria

Eu no posso falar tudo, o meu pai no me ordenou

As mesmas guas que purificam, nas curvas dos descaminhos, carregam o misticismo e saciam as novas misturas. Tantas famlias chegaram, ribeirinhas; a corte se perpetua: os Dois Irmos, Averequete e Dom Jos, viram o ax florescer, no Guam. L e c, Daom. Mina-Jeje, Mina-Nag.

Babau, batuques, batalhas…e mais brasa no defumador.Nobres com suas bandeiras, ciganos, marinheiros, boiadeiros, de Lgua e do Cod, d’Oxum, Nan e Iemanj…

… de Parail, de Parail…

Vibra o Tambor de Mina, pulsa na pele das guas! De cuias, quartinhas, pias e garrafadas, veias de um mesmo tronco, razes cuja seiva tambm saliva, toque de abatazeiro, bouquet de patchouli. Muito forte a f, nas guas de Nazar! Danando ao luar, na Guma,as Princesas Ajuremadasofertaram os seus perfumes.Donas de toda a magia – afinal, “fizemos Cristo nascer na Turquia. Ou em Belm do Par”. A rosa mosqueta, de frescor adocicado; a luz de azahar, em flor de laranjeira; as mais raras ptalas dos ramos da juremeira. Juntas, cantaram as suas doutrinas.

Lideraram exrcitos, nas trilhas Icamiabas. Passearam, festeiras. Bordaram, enfim, suas rotas divergentes.

5.

Quatro Contas me protegem desde menina

A vermelha Mariana, a amarela Jarina

A branca a Cabocla Jurema –Jurem, Jurem

A verde a Cabocla Brava, a minha Cabocla Herondina

Que no me deixa cair, no me deixa tombar

Agora, o que ouvi por a, vivido, nas folias: contam que Mariana assumiu o navio do pai e margeou a costa brasileira, em luta; contam que Tia Jarina, vestida na cor do pavo, pode ser vista a girar nas praias, nas dunas adormecidas; e contam que Me Herondina no mais deixou a floresta – l ficou, entre as samamas.

Pois tudo virou Carimb, nos cantares do povo. “Chama Verequete”, o brado em trovo do Mestre! “Chegou Dona Mariana”, ginga de Pau e Corda! Os tambores Curimbs so a voz dos Encantados – contam, comem, rufam, narram.

Curimbam! Toda a gente rio e som, num banho de chuva e cheiro.Quando o canto de Dona Onete, Rainha, beija as Contas da sua vida, louvando, faceiro e jamburano, a prote豫o das Belas Turcas, celebra os recados das matas, os espritos das guas, as ervas da Jurema e o saber ancestral da cura. Era isso o que elas buscavam: a cura, macerada na mo.

Aparelhagem Astral: noite de festa no Reino da Encantaria!

O barco que me conduz no tem porto de chegada. Sou o prprio delrio sambista, nesse Grande Rio, sou o sonho aquecido no couro, a sagra豫o das Pororocas – elas,lume de estrelas, aquelas que nos defendeme convidam aos segredos. Estrondo! Quero ver Carimb na Avenida, quero mais carimbolar! Abrir as letras de um Samba valente! Acordar a Cobra Grande e fazer terra firme tremer! Quero ser, para sempre, a beleza guardada nas guias de quem, ainda criana, brilhou na Lua crescente, desceu ao fundo das guas, voou nas asas de uma borboleta azul, penteou os cabelos da Uiara e brincou de se encantar.

Enredo, pesquisa e texto: Gabriel Haddad e Leonardo Bora

Pesquisadora convidada: Rafa Bqueer

Assistentes de pesquisa / equipe de cria豫o: Patryck Thomaz, Rafael Gonalves, Sophia Chueke, Theo Neves

Agradecimentos:

Jean Gomes Negro, Cludio Didimano, Claudio Rego de Miranda, Ursula Vidal, Fernando Pessoa, Luiz Antonio Simas, Fernanda Martins, Leonardo Carrato, Luis Jnior, Alessandro da Silva Abreu, Odir Lima de Abreu, Cludia Palheta, Lucas Belo, Josivana de Castro Rodrigues, Cilene Andrade, Ronaldo Guedes, Madson Embaixador, Ju Gomes, Jane Cerdeira, Marcelle Almeida, Thiago Hoshino, Alberto Mussa, Renato Menezes, Thiago Albuquerque de Lima, Thiago Avis, Vitor Souza Lima, Filipe Almeida, Mavi Maia.

Agradecimentos especiais, de ax e carimb:

Pai Felipe e Il Ax Pedra de Itaculum, MametuNangetu e Candombl Manso Massumbando Keke Neta, Me El e Terreiro de Tambor de Mina Dois Irmos, Pai Elivaldo e Terreiro de Rei Sebastio e Toya Jarina, Mestra Amlia Barbosa e Grupo de Tradi寤es Marajoara Cruzeirinho, Me Ftima e Terreiro de Ians Nossa Senhora da Concei豫o, Paj Dona Roxita, Mestre Gri Chico Malta e Grupo de Carimb Cobra Grande, YObasyl Concei豫o e Il Dar AsOyOnira, Me Luiza e Il Ax Monadeuy, Wellen Sillva e Grupo Carimb do Par, Andreia de Vasconcelos e Carimb Aturi, Dona Onete – a Mestra que nos deu o fio de contas, o pontinho que faltava.

Msicas citadas no texto da sinopse:

KirimbasawaYriY-It (A fora que vem das guas) – Suraras do Tapajs (terceira epgrafe); Sereia do Mar – Mestre Verequete (quarta epgrafe); Quatro Contas – Dona Onete (1 e 5); Verequete o Rei – Mestre Verequete (2); Fundo das 햓uas – Mestre Diquinho (3); Cho de Encantaria – Mestre Diquinho (4).

Referncias bibliogrficas:

ABUFAIAD, Verena; BARROS, Lliam. Folias de So Sebastio. Belm: IPHAN, 2008

AKSIT, Ilhan. The Mistery oftheOttomanHarem. Istambul: Aksit. 2014

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In:

https://periodicos.ufpe.br/revistas/index.php/revistaanthropologicasvisual/article/view/24063#:~:text=Quando%20se%20diz%20

CARDOSO DOS SANTOS, Keila Andra. O Navio, a esquadra, os faris e a espada: a performance da Toya Turca Cabocla Mariana, no Tambor de Mina em Belm do Par. Instituto de Cincias da Arte da UFPA. Belm: 2009.

In:

https://pt.scribd.com/document/444937192/Toya-Turca-Cabocla

CORDEIRO, Rosilene da Concei豫o. “Cabocla Mariana mora nas ondas do mar, faixa encarnada ela ganhou pra guerrear!” Um estudo sobre performance cotidiana e memria cultural paraense. In: ANDRADE, Simei; BEZERRA, Jos Denis de Oliveira (org.). Peraus da Memria. Pesquisas em Artes Cnicas na Amaznia. Belm: Paka-Tatu, 2023.

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MORAES, Eneida de. Banho de Cheiro. Belm: Secult, 1997.

OLIVEIRA, Odaisa. Vocabulrio Terminolgico Cultural da Amaznia Paraense. 6 volumes. Belm: Cultural Brasil, 2015.

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VERGOLINO E SILVA, Anaza. O Tambor das Flores. Belm: Paka-Tatu, 2015.

Exposi寤es:

Miriti das 햓uas. Realiza豫o: SECULT- PA, Belm, 2012.

Caboclos da Amaznia. Projeto, dire豫o: Carlos Alcantarino. Rio de Janeiro, 2024.

Msicas ligadas ao universo da sinopse:

Chama Verequete – Mestre Verequete; Dona Mariana – Pinduca; Festa no Reino das Encantarias – Dona Onete; Aruanda: As Trs Princesas – Geovane Bastos, Boi Caprichoso; Ciranda das Turcas Encantadas – Luiz Antonio Simas; Guiana – Jane Cerdeira e Marcelle Almeida; Sereia do Rio-Mar – Mestre Chico Malta.

Filmes:

A Descoberta da Amaznia pelos Turcos Encantados, de Luiz Arnaldo Campos – https://www.youtube.com/watch?v=kATYZK5Zp7M

Pena e Marac – A Encantaria do Fundo, de Leonardo Carrato e Daniel Meneguelli – https://www.youtube.com/watch?v=Cman1gaUTn4&t=222s

Mina Dois Irmos – Raiz, Tambor e F, de Andr dos Santos – https://www.youtube.com/watch?v=OtjB_0ElTcw

Dona Mariana: a Princesa Turca da Amaznia, de Zeca Ligiro – https://www.youtube.com/watch?v=-BKqGqW6FLo&t=428s

Dona Onete – Documentrios Biogrficos da Amaznia – https://www.youtube.com/watch?v=iewm9wMorgY

Mariana: Histrias de Vida e Encantaria, de Luiza Braga –

Carimb, de Eduardo Souza – https://www.youtube.com/watch?v=VlTK6yu3P6c

Boi Pavulagem Boi do Mundo, de Homero Flvio e Ursula Vidal – https://www.youtube.com/watch?v=rjAgMkw0hMs

O Carimb de Alter do Cho: Pau e Corda do Oeste do Par, de Leandro Gonalves – https://www.youtube.com/watch?v=rUoVlGU_8rA

A Encantadora de Botos – Visceral Brasil – Plataforma Looke

https://www.looke.com.br/episode/visceral-brasil-as-veias-abertas-da-musica-ep-04-a-encantadora-de-botos

Ocupa豫o Dona Onete – Ita Cultural

CollectionPetitesPlantes – Dona Onete, de Vincent Moon – https://www.youtube.com/watch?v=6bv5e56vI7

Chama Verequete – Curtas Paraenses, de Luiz Arnaldo Campos e Rogrio Jos Pereira – https://www.youtube.com/watch?v=JWiAcAzeSrY




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