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Confira a sinopse da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2025

Logun-Ed ? Santo Menino que velho respeita o enredo da agremia豫o

Publicada em 02/05/2024 às 10:39h

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Estou aqui para contar a minha histria…

1 - Nascente. Olho d’gua... tero do mundo. Numa cabaa mergulhada no fundo do rio turvo, um espelho reflete as mltiplas formas da vida. As guas do rio Oxum fazem nascer, germinar a semente. Grande fertilidade banha as terras negras de Ilex… Essas guas fluem como itans que se revelam e que se entrelaam como correnteza que me leva ao meu destino.

2 - Um dia, Oxum emergiu do fundo dessas guas, nadou at a margem, onde desejou ardentemente um belo caador chamado Erinl. Famoso por sua beleza bruta, Od s se interessava pelas mulheres das matas, rejeitava as das guas. Mas ela o amou tanto que quis ter um filho com ele. Consultou If para saber como conquist-lo. Os bzios revelaram que, para alcan詣-lo, Oxum deveria ser selvagem como as folhas e exalar o aroma das fmeas dos bichos da floresta. Sob uma camada de lama, mel e ervas aromticas, a rainha se tornou a caa perfeita para o abate. A magia assim se deu: o rio desaguou de tanto desejo, que eu, peixinho, mergulhei no ventre de minha me. E, celebrado pelos espritos superiores do Orun, nasci no Aiy para cumprir o que, em suas mandalas, determinou o orculo sagrado.

3 - Pelos veios da savana, ancestrais se levantaram como grandiosos elefantes e me trouxeram marfins como presente. As mais poderosas sacerdotisas da terra me ofertaram deliciosas comidas: axox de meu pai e omolokum de minha me, mas tambm muitos lels adoados com mel silvestre. E, ao som de ils bem tocados no ritmo ijex, toda a gente danava, reconhecendo que sou de nobre linhagem.

4 - Sim, o grande prncipe herdeiro da raa dos meus pais! Tenho a sensibilidade e a inteligncia de minha me e a bravura e a esperteza de meu pai. Caador e pescador, sou minha prpria natureza. Eu sou o mido e o seco, o lquido e o slido. Represento a neblina que esconde os limites entre os reinos, a areia molhada, o clio das matas, a floresta, a margem e o fundo dos rios. Sou o nico capaz de reunir todos os mundos. Sou o equilbrio entre os homens e as mulheres. Assim tenho tudo, pois prncipe sou!

5 - E, como recomendam os velhos sbios africanos, foi preciso toda uma aldeia para me educar. Havia um grande mundo a ser desbravado para alm dos limites de Ilex. Recebi de Exu o poder da transforma豫o. Com Ogum, aprendi a forjar minhas armas e armaduras. Com Oy, entendi como manejar a espada afiada. Obaluay me orientou como curar as feridas. Ossaiyn me ensinou que, sem as folhas, impossvel seguir. Ew me deu o poder da camuflagem. Tudo isso me fez merecer o meu nome: Ologun-Ed, O Senhor das Guerras de Ed!

6 - Quando houve a guerra entre o Imprio de Oy e Daom, Ilex foi atingida e, por isso, ainda jovem, me encantei. Os inimigos queriam desafiar a riqueza e a prosperidade de nosso povo, humilhar nossa altivez e realeza, controlar as guas com as quais nos nutramos, escravizar nossos corpos, vender nossa liberdade como objetos teis.

7 - Para superar isso tudo, nos refugiamos em Abeokut, onde, sob a luz da Lua, Iemanj, a senhora do rio que corre para o mar, nos deu na foz uma estratgia de sobrevivncia: na presena dos demais peixes, uma tropa de cavalos-marinhos. Entre os jovens encantados, cavalgamos o enorme oceano em dire豫o outra margem do espanto atlntico. Adeus, Ilobu, das savanas e plancies frteis de meu pai Erinl! Adeus, Oxogb, do rio caudaloso de minha me Oxum!

8 - Aportamos nas praias brasileiras. Novo Mundo, povo estranho conhecemos. Mas quem pode partir as guas e contar as folhas? No seremos repartidos pela escravido! E, quando rufaram os ils dos primeiros candombls, renasci na cabea dos Reis e Rainhas de um Prncipe Coroado. Pois eu sou o segredo, filho do Rei da Na豫o Ketu e da Rainha da Na豫o Ijex. Quando as mulheres clamavam a minha me pela esperana de ter filhos, riquezas e sucesso nos negcios, eu estava. Quando os homens clamavam ao meu pai por liberdade, prosperidade e fartura, eu tambm estava.

9 - E assim sou cultuado nos axs do Brasil, terra e gua que deram lugar ao meu reino. Com Severiano, ergui, na Bahia, a casa do Kal Bokum. Com Zezito, minha fora chegou ao Rio de Janeiro, onde desembarquei com a Corte Real Ijex. Estou presente em todos aqueles que reconhecem que sou “santo menino que velho respeita”, como falou Me Menininha do Gantois. Zelo pela minha nobreza e pela do meu povo, atravs dos ensinamentos que levam meus filhos e filhas ao melhor destino.

10 - Estou nos assentamentos, ids, ots e ibs que sustentam a vida dos que me seguem. Ergam seus ofs, abebs e balanas! Busquem comigo a solu豫o das causas impossveis! Depois, faam festa! Saiam em cortejo ao toque de afoxs! Celebrem estar vivos! Curtam, dos velhos s crianas, a jovialidade que emana do meu mistrio. Exibam seus axs em praa pblica! Contem minha histria! E reconheam o destino que o velho Orunmil me determinou.

11 - Eu sou a fora da juventude no tempo. Estou no presente e daqui olho para o futuro. Estou no passado e de l resgato as tradi寤es. Estou no futuro em que meu legado imortal! Eu nunca morro. Eu sou o horizonte para as novas gera寤es, a continuidade da vida. Eu sou o sopro que toca os ouvidos de cada um, quando inspiro seus desejos.

12 - Tambm estou no desafio aos limites. Neste mundo de afrontas, sou o combate humilha豫o das pessoas subalternizadas, empobrecidas e constrangidas simplesmente por existirem. Ousadia meu nome contra os que negam uma vida plena e digna aos jovens pretos.

13 - Jovens, sejam altivos como o pavo, exibindo sua nobreza. Sejam versteis como o camaleo, afrontando e, baphnicos, existindo. Sejam leves como os pequenos pssaros, cantando para serem ouvidos. Sejam espertos como a lebre, danando, encantando e quebrando tudo. Sejam ferozes como o leopardo, lutando imponentes contra os que caam suas vidas e as descartam.

14 - Pois isso ser cria: ser honrado pelos “meus consagrados” mais velhos por onde eu passo. Sou o orgulho dos que j nos deixaram e a esperana para o dia de quem ainda vai chegar.

15 - Amarelo ouro, azul-pavo. Cumpro o meu destino pousado no alto de suas casas. Envolvo o meu Morro do Borel no aconchego das minhas asas. Abro minha cauda em leque como um lindo milagre de Oxal.

16 - E assim me ordenou Orunmil: “Enquanto cresceres, entre o cu e a terra, entre a mata e o rio, entre a 햒rica e o Brasil, entre a comunidade do Morro do Borel e a Marqus de Sapuca, sers grande e imortal no pavilho de uma escola de samba, que te mostra ao mundo inteiro, no giro da porta-bandeira e no bailar do mestre-sala, espalhando o teu ax”.

Bradem comigo, confirmando em Benin: Eu sou a Tijuca! Eu sou Logun-Ed!

Ore Iye Iye Osun!

Ara unse! Ara unse kke Od Erinl!

Loci, Loci Logun!

Enredo: Logun-Ed: “santo menino que velho respeita”

Presidente: Fernando Horta

Dire豫o de Carnaval: Fernando Costa

Carnavalesco: Edson Pereira

Enredistas: Mateus Pranto e Rodrigo Hilrio.

Consultores: Osmar Igbod e Raphael Homem.

Texto: Edson Pereira, Mateus Pranto, Rodrigo Hilrio, Osmar Igbod e Raphael Homem.




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